Flávio Bolsonaro comenta caso Orelha, mas investigação teve desfecho diferente do inicialmente divulgado
O senador Flávio Bolsonaro se manifestou nas redes sociais sobre o caso do cachorro comunitário Orelha, que ganhou repercussão nacional após sua morte na Praia Brava, em Florianópolis. Na época, o episódio provocou manifestações de moradores, protetores de animais e personalidades que cobravam esclarecimentos sobre as circunstâncias envolvendo o animal.
Em uma publicação na plataforma X, o senador lamentou o caso e classificou a situação como uma demonstração de crueldade. A manifestação ocorreu enquanto a investigação policial ainda apontava adolescentes como suspeitos de envolvimento em uma suposta agressão contra o cachorro.
O caso, entretanto, passou por uma mudança significativa nos meses seguintes, após novas análises técnicas realizadas pelo Ministério Público de Santa Catarina.
Investigação inicialmente apontou suspeitos
Orelha era um cão comunitário que vivia havia anos na região da Praia Brava e era cuidado por moradores. No início de janeiro, ele foi encontrado ferido e levado para atendimento veterinário. Devido à gravidade do quadro, acabou sendo submetido à eutanásia.
Na primeira fase da investigação, a Polícia Civil analisou imagens de câmeras de segurança, ouviu testemunhas e apontou adolescentes como suspeitos de participação nas supostas agressões. Em janeiro, três adultos, familiares de adolescentes investigados, também foram indiciados sob suspeita de coação de testemunha.
Foi nesse período de forte repercussão que o caso passou a ser utilizado como exemplo no debate público sobre maus-tratos contra animais.
Novas provas mudaram a conclusão do caso
A apuração, porém, não terminou com o primeiro relatório policial. Em maio, o Ministério Público de Santa Catarina informou que uma análise de quase 2 mil arquivos, incluindo vídeos, fotografias, laudos e dados extraídos de celulares, apontou inconsistências na linha do tempo das câmeras.
Segundo o MPSC, havia um descompasso de aproximadamente 30 minutos entre os sistemas de monitoramento. Com a correção dos horários, os adolescentes investigados e Orelha não estavam juntos na Praia Brava durante o período considerado inicialmente como o da suposta agressão.
A nova análise também apontou que o animal sofria de uma condição grave e preexistente, identificada como osteomielite crônica na região da mandíbula.
Laudos afastaram hipótese de agressão
Outro ponto considerado pelos promotores foi a análise realizada após a exumação do corpo de Orelha. Conforme o Ministério Público, não foram encontradas fraturas ou lesões compatíveis com uma agressão humana.
As conclusões técnicas levaram as Promotorias responsáveis pelo caso a pedir o arquivamento do procedimento envolvendo os adolescentes. Em 14 de maio, a Justiça homologou o arquivamento.
Com isso, informações divulgadas anteriormente sobre uma suposta agressão praticada pelos jovens deixaram de representar a conclusão final da investigação.
Manifestação de Flávio ocorreu antes do desfecho
A manifestação de Flávio Bolsonaro deve ser compreendida dentro daquele primeiro momento da investigação, quando a hipótese de maus-tratos ainda estava sendo apurada pela Polícia Civil.
O senador defendeu a responsabilização em casos de violência contra animais e afirmou que situações de crueldade não deveriam ser tratadas com indiferença. A publicação repercutiu justamente em meio à comoção nacional provocada pelo caso.
Posteriormente, porém, o conjunto de provas analisado pelo Ministério Público apresentou uma conclusão diferente daquela inicialmente atribuída à ocorrência.
O caso Orelha acabou se tornando um exemplo de como investigações podem sofrer mudanças importantes após a análise aprofundada de imagens, laudos e outros elementos técnicos. Embora a comoção inicial tenha provocado pedidos por punição, o arquivamento homologado pela Justiça encerrou o procedimento contra os adolescentes após as novas conclusões periciais.
